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PLANO DE CONSTRUÇÕES DE AVENIDAS por: FRANCISCO PRESTES MAIA (Engenheiro civil e arquiteto, professor da Escola Polytécnica e Engenheiro da Secretaria de Viação e Obras Públicas) * O trabalho “Plano de avenidas para a cidade de São Paulo" como o seu próprio nome diz, trata-se simplesmente de um estudo para completar o sistema e viação da cidade.Sem embargo disso, por ter sido levado a efeito publicado quando prefeito da Capital o Exmo. S.r. Dr. J. Pires do Rio, cuja ação vem sendo assinalada por grandes e reais serviços á nossa cidade, foi de nímia justiça nele inserir alguma documentação acerca das vultuosas obras e importantes empreendimentos que caracterizam seu brilhante período administrativo. Sobre essa documentação versarão estas ligeiras referências. Muitas dessas obras e empreendimentos foram de sua iniciativa e as que obedecem a planos anteriores tiveram execução intensiva em sua administração, achando-se quase todas concluídas, ou em fase de conclusão. Algumas delas se prendem a boa compreensão do “Plano de Avenidas” e todos seria indispensáveis ao estabelecimento de um plano de remodelação da cidade. A Avenida São João foi entendida da rua Victória à praça Marechal Deodoro. Já se avista da praça Antonio Prado, através da brecha da avenida, a serra do Jaraguá. A parte ora aberta constitui, sem dúvida nenhuma, um esforço formidável do atual governo municipal, por quanto representa dois terços da extensão total da avenida, sabendo-se que para o terço inicial, ou para o trecho de um Quilômetro, houve o concurso de três administrações. Releva frisar que nesta última e mais desenvolvida etapa não constitui a obra simples alargamento da antiga rua; foi necessário, pela deflexão desta e em obediência ao plano estabelecido, rasgar vários quarteirões, com a conseqüente derrubada de vários edifícios importantes. A Avenida Anhangabaú, velha aspiração dos paulistanos, já prevista por Samuel das Neves, em 1910, e já objeto de lei municipal, em 1922, somente teve seus planos aprovados em 1924. Terminada a fase preliminar de estudos e desapropriações a cargo do Eng. M. Barbosa, entrou imediatamente em fase de execução. Os serviços de terraplanagem estão muito adiantados; obras acessórias, como galerias para vasão de águas pluviais, estão quase concluídas. Não só o saneamento básico do Valle e das zonas vizinhas ficou assegurado; desapareceu o perigo da transformação em novas "Favelas" das encostas marginais e do próprio Vale. Além disso, ficou estabelecida a mais importante via coletora e distribuidora de trafego entre a cidade e as zonas extensamente povoadas de trans-Avenida Carlos de Campos, servindo ao setor Brig. Luiz Antonio-Consolação. As obras da ladeira do Carmo, talvez ainda não apreciadas em seu verdadeiro valor, transformar a uma colonial viela de treze metros de largura e rampa de 11% de declividade, servindo de principal ligação entre a cidade e o populoso bairro do Braz, sede de estações ferroviárias importantes, em relativamente ampla avenida de 30 metros de largura e rampa de 6% de declividade. A Muralha e o pontilhão sobre a rua 25 de Março encantariam, formando um conjunto grandioso e monumental, acham-se concluídos; terminada até a rua do Carmo está a terraplanagem e, dentro em breve, ultimadas as desapropriações, essa. Avenida poderá lançar em plena praça da Sé todo o seu tráfego. A ligação Araçá-Villa Pompéia já esta entregue ao uso público, sendo uma realidade desse trecho de cintura exterior da cidade. Bairros vizinhos, mas que se tornaram tão distantes, pela ausência de comunicações diretas, acham-se hoje entrelaçadas por essa nova via pública. Estradas intermunicipais foram quase todas pavimentadas dentro do município, uma a uma cada um asfaltado, outras a concreto de cimento; entre estas sobreleva São paulo-Santo Amaro, executada pela administração dentro dos limites do município. As estradas de interesse local não foram menos cuidadas, possuindo o município em conjunto 430km de boas estradas. Outros trabalhos de não menor culto e importância para a vida da cidade foram atados pelo Dr. Pires do Rio. O Mercado Municipal, que será sem similar pelo menos na América do Sul, tem suas implantações cobrindo um alqueire, aproximadamente, de superfície. O corpo central do edifício tem a área de 15.327 ms quadrados e a área total, incluindo-se os dois belos edifícios laterais, é de 22.200 ms quadrados, a frente principal é de 240 metros de extensão e toda a estrutura do conjunto é em concreto armado, inclusive tesouras e coberturas. Os dois edifícios laterais se destinam, um aos serviços de administração; outro, aos postos de telegrafo, de telefones e de correio. O mercado, assim ligeiramente descrito, está virtualmente concluído. O parque de Ibirapuera, com seus dois milhões de metros quadrados, está em formação. Dessa aculturada área, um milhão e quinhentos mil metros quadrados foram reivindicados, após tenaz e inteligente esforço administrativo. Em moeda sonante a ação energética e patriótica do Dr. Pires do Rio pode ser traduzida pelo valor de 22.500 contos de réis, corresponde a área reincorporada do patrimônio público. Se isso não fora suficiente para avultar-lhe a iniciativa bastaria a circunstância de ficar o parque ao pé do centro da cidade, entre bairros residenciais e prósperos. Os trabalhos de levantamento do mapa do município e da planta da cidade iniciados a um ano pouco mais ou menos. Apesar do grande período chuvoso que caracterizou o ano de 1929, está em pleno desenvolvimento. Empreendimentos simultânea e paralelamente os levantamentos pelos processos terrestre e comum e aerofotogramétrico, já se conseguiu publicar duas folhas na escala 1:5000 do levantamento terrestre e está para muito breve a saída de mais três folhas. Em junho próximo serão publicadas as primeiras do levantamento aéreo. O esmero e o rigor técnico observado na execução do levantamento terrestre, de que algumas folhas já estão entregue são uso público, desafiam o confronto com trabalhos similares. Os serviços de pavimentação da cidade tiveram incremento aqui jamais observado. A execução dos calçamentos, em qualquer dos vários tipos, nunca foi suscetível de crítica séria. As instalações, indispensáveis a boa e perfeita execução do programa estabelecido, foram montadas. A pedreira do Rio Grande foi adquirida para os serviços de calçamento. Fornece ela a pedra britada necessária. Foi ai montado o maior britador da América do Sul, o qual pode fornecer diariamente aos trabalhos de pavimentação 700 metros quadrados de macadame; uma composição ferroviária, de propriedade da prefeitura, composta de locomotiva em 12 vagões, com a capacidade de transporte de 180 metros quadrados, em linha própria em comunicação com a São Paulo Railway, asseguram a condução do material até o depósito da rua Bresser, onde foram construídos silos, que podem armazenar até 800 metros quadrados de material. As cargas e descargas são feitas por meios mecânicos. O material é distribuído nos locais de emprego por uma bateria de 110 possantes autocaminhões, dotados de carros reboque. A pedreira até o fim de 1929 já produziu 155 mil metros cúbicos de matéria. Para o fornecimento de paralelepípedos foi adquirida a pedreira de Cotia, também aparelhada com ramal ferroviário. Essa pedreira já forneceu até o fim do ano passado quase 1 milhão e meio de paralelepípedos. O porto de Areia e pedregulho do Canindé, instalação auxiliar desses trabalhos, dispõem também de cães de desembarque e de aparelhamento mecânico completo para extração ( draga ), carga e descarga de areia e de pedregulho. Até o fim do ano passado, foram extraídos e empregados 55 mil metros cúbicos de material. Tal organização de serviço, por si só, realçaria um período de serviço administrativo. De justiça é citar a comprovada dedicação e a competência dos chefes de serviço da diretoria de Obras, sob cuja direção correram, ou estão correndo, essas obras e empreendimentos. Assim os engenheiros J. Amadei, na pavimentação; N. Airosa, nas obras de arte; Silvio Noronha; nos trabalhos da planta da cidade a cargo da 7ª seção e, conjuntamente com G. Corbiser e Agenor Machado, quanto aos trabalhos aerofotogramétricos e D. Pacheco quanto ao sistema de viação rural. De não menor justiça é realçar o devotamento demonstrado em prol dos interesses municipais, que são, afinal, os de todos nós habitantes da cidade, nas causas desapropriatórias e reivindicatórias, por parte dos Snrs. Drs. João F. de Lima Pereirae Alcino de Campos, este na chefia dos serviços do Patrimônio Municipal e aquele na sua defesa jurídica. A organização da Comissão do Tietê para os estudos atinentes á canalização e retificação do rio do mesmo nome, significaria o passo decisivo dado pela administração das grandes áreas marginais. A urbanização das várzeas laterais ao rio canalizado e retificado constituía um problema viral para São Paulo; seria a base de apoio em que se poderia firmar todo e qualquer plano de remodelação da cidade. Impunha-se, pois, a escolha de um profissional competente, de capacidade técnica reconhecida, para dirigi-la. O Snr. Dr. Pires do Rio, em sua visão de administrador experimentado, colocou-a sob a chefia do eng. João F. de Ulhôa Cintra, de conhecimentos especializados já demonstrados. O acerto da escolha está comprovado pelos trabalhos realizados. A atual Comissão do Tietê, pois, chamou a si a execução dos trabalhos, antes sob a direção do grande vulto da engenharia sanitária nacional o pranteado Eng. Saturno de Brito, a quem se deve o notável e primitivo projeto de melhoramentos do Tietê. Desde logo foi atacado o problema em sua face mais difícil, aquela em que as administrações encontram óbices as vezes insuperáveis a que diz respeito com a aquisição das áreas necessárias. A área abrangida pelas obras do canal e das avenidas marginais, nos 27 kilômetros de extensão de Osasco á Penha é de 5.105.934 metros quadrados, área que pode ser considerada como totalmente adquirida. Tiveram prosseguimento os estudos sobre o regime do rio; realizaram-se sondagens e foram feitas as locações. O cadastro das zonas vizinhas foi organizado. Um plano geral de expansão da cidade, com o aproveitamento das enormes várzeas marginais até então inundáveis e quase abandonados foi previsto e elaborado. Está, pois, virtualmente terminada a fase preliminar de estudos e desapropriações para que o problema entre, em sua fase final de execução da obra. São Paulo, Maio de 1930. Arthur Saboya Diretor de Obras e Viação da Pref. Municipal |
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